segunda-feira, 27 de julho de 2015

Kalu Rimpoche

Kalu Rimpoche

   O Muito Venerável, O Senhor dos Refúgios, Lama Vajradhara Kalu Rimpoce, um dos maiores mestres budistas do século XX, nasceu em 1904, na região do Kham, Tibete oriental.

   Foi ordenado monge no monastério de Palpung, com 13 anos de idade, recebendo o nome de Karma Rangiung Kunkhiab. Aos 16 anos fez o tradicional retiro de três anos, três meses e três dias durante o qual recebeu, do seu mestre de retiro, Lama Norbu Töndrup, as instruções e as praticas dos Cinco Ensinamentos de Ouro, da gloriosa tradição Shangpa Kagyü.

   Praticou ainda por cinco anos em monastérios, antes de se retirar por 12 anos na solidão das grutas do Himalaia. Posteriormente, ocupou por vários anos o posto de Lama Mestre de retiro dos Centros de Naroling e Niguling.

   Em 1957, a pedido da princesa do Butão, Ashe Wagmo, e acatando a determinação de Sua Santidade o XVI Karmapa, tornou-se o abade do monastério de Jangchub Chöling, na província butanesa de Korte. Por vários anos manteve, protegeu e desenvolveu a doutrina, fundando mosteiros, criando centros de retiro e construindo stupas.

   Em 1966, estabeleceu-se em Sonada, no monastério de Samdrup Targyeling. Entre 1971 e 1989 dirigiu-se diversas vezes ao Ocidente, estabelecendo dezenas de Centros de Dharma e de Centros de retiro, a fim de transmitir as instruções liberadoras para o bem de todos os seres.

   Foi durante uma de suas viagens ao Ocidente, em 1980, na cidade de Paris, que Rimpoche autorizou, para um grupo de discípulos brasileiros, a fundação de Centros de Dharma no Brasil.

   As atividades vivíveis de Rimpoche cessaram no dia 10 de Maio de 1989, às 15h, com idade de 85 anos, quando entrou na pura clara luz, a infinitude absoluta, em postura de meditação.

Yangsi Kalu Rimpoche


No dia 17 de Setembro de 1990, por sua grande bondade e compaixão, Rimpoche retornou ao nosso convívio, na pessoa de Yangsi Kalu Rimpoche, que foi reconhecido pelo Veneravel Tai Situ Rimpoche e confirmado por Sua Santidade o Dalai Lama, como encarnação do precedente Kalu Rimpoche.

Yangsi Kalu Rimpoche e Lama Dordje


Sobre os Mantras


                                                                   Om Mani Peme Hung

   Mantras são palavras sagradas de grande poder que trazem bênçãos. Na maioria dos países asiáticos, inclusive o Tibete, os mantras ainda são recitados na língua sânscrita original. A tradução da palavra mantra é literalmente “algo onde se pode apoiar a mente”. E é isso que um mantra pode fazer.

   Meu mestre, Kalu Rimpoche, costumava falar que é mais fácil contar o numero de gotas que cai, durante uma semana de chuva torrencial, do que o beneficio de uma única só recitação de um mantra.

   A prática do mantra é uma forma rápida, eficaz e poderosa de concentrar, estabilizar e liberar a mente. A prática do mantra pode ajudar a trazer estados mentais construtivos, reforçar o treinamento mental, aumentar a inteligência básica, a atenção, a concentração e o nível de percepção.

   Existem diferentes tipos de mantras; Mantras de cura, de sabedoria, de compaixão, de percepção, de purificação, mantras para dissolver obstáculos e mantras da paz. Tem mantras de apenas uma única silaba, como o “OM” ou “AH”. Estes são chamados de mantras de silaba semente. Como a semente de uma linda planta, as silabas únicas carregam dentro de si os ensinamentos, mistérios, sabedoria e realizações do fruto final ou da flor da iluminação.

   Pode-se também se combinar a recitação do mantra com visualizações. Por exemplo, ao recitar um determinado mantra, mantemos a nossa mente uma determinada visualização e com a mão seguramos um mala (rosário) para contar o numero de repetições que fizemos.

   Algumas práticas exigem que recitemos um numero muito grande de um determinado mantra, por isso é muito comum vermos praticantes andando pela rua com o mala na mão recitando mantras.

   A meditação com mantra pode alterar a atmosfera e provocar uma transformação rápida, tanto no mundo externo como interno.



A Iluminação é a Meta. A Meditação é o Caminho.



   "Você é o Buda, você é a verdade. Então por que não sente isso? Por que não conhece isso muito bem? Por que existe um véu no caminho, que é o apego às aparências, como por exemplo a convicção de que você não é um buda, de que você é um individuo separado, um ego. Se não puder remover este véu de uma só vez, então ele terá que ser dissolvido gradualmente.

   Se você conseguir enxergar através dele, totalmente, mesmo que apenas por um instante, então poderá fazer isso novamente a qualquer momento. Onde quer que esteja, o que quer que esteja diante de você, de qualquer forma que as coisas se apresentem; simplesmente retorne a esta clareza e abertura espaçosas e sempre presentes."

     -Kalu Rimpoche.

   Quando praticamos a meditação, o que fazemos é descascar as camadas da persona. Nós continuamos descascando, camada por camada, cada vez mais, em direção ao centro, trazendo à superfície e soltando, um após o outro, os muitos rostos que apresentamos ao mundo e a nós mesmos.  

   Se nós não somos pensamentos, então quem somos? Quem é essa pessoa que tenta meditar? Quem é o experimentador que experimenta nossa experiência? É nossa mente, nosso corpo, nossa alma, nosso espírito? A grande questão é esta, a questão da identidade.

   A maioria dos meditadores traz consigo uma inspiração comum: experimentar as cosas diretamente como são, no momento presente. Agora é o único lugar onde podemos estar. Tanto as lembranças quanto aos planos ocorrem no momento presente. Na meditação nós voltamos sempre a este presente que é único, despertando gradualmente para a verdade de quem e do que somos.

   Nós sabemos que não podemos fugir, que precisamos voltar sempre. Respiramos, praticamos a atenção plena e descascamos camadas e mais camadas. Cada vez mais fundo. Vendo nossos estados mentais, soltando o que nos prende, desmascarando, descascando, até finalmente chegar ao estado original, não processado, o estado natural, o ser genuíno. Esta é a natureza Búdica, a natureza verdadeira, a natureza verdadeira – a mente natural. O Buda interior está desperto.

   Simplesmente ser – em meio a todo o fazer, o atingir e o vir-a-ser. Este é o estado natural da mente, nosso estado original e fundamental de ser. É a natureza Búdica autentica. É como reencontrar o nosso equilíbrio.

Trecho do livro O Despertar do Buda interior- Lama Surya Das. Editora Rocco.



quarta-feira, 22 de julho de 2015

OS CINCO OBSTÁCULOS PARA A PRÁTICA DO SHINE




   Quando iniciamos no caminho do despertar encontramos alguns obstáculos que podem nos tirar dele.

   O Buddha, nos sutras, aconselha a buscar de inicio o estado de tranquilidade da mente (shine) e depois meditar sobre a visão superior (vipasyanâ).

   O estado de tranquilidade da mente (tibetano: shine; sânscrito: samatha) é o fundamento necessário aos yogues budistas e não budistas para abandonar as emoções conflituosas.

   É ainda uma meditação que deve ser realizada por qualquer que seja o yogue do hinayâna ou do mahayâna. E mesmo no mahayâna, todos os yogues do vajrayâna como do pâramitâyâna devem praticar shine. Esta prática é, portanto a base mais importante para todos os yogues que percorrem a via espiritual.

Os cinco vícios que impedem de realizar o shine (calma mental) são:

1-     A preguiça

É a atitude na qual a mente não entra em contato com as virtudes da prática.

2-   O esquecimento

Mesmo se a mente entra em contato com a prática ela esquece as instruções da meditação.

3-   O torpor e a agitação

Mesmo se a mente não esquece as instruções ela não fica quieta: é a agitação; ou então ela é opaca e entorpecida: é o torpor.

4-   A falta de intervenção

Quando a mente partiu no torpor ou na agitação, é não aplicar o remédio que permite eliminá-los.

5-    O excesso de intervenção

É aplicar remédios muito numerosos. Essa intervenção excessiva impede a mente de ficar quieta.

   Lembre-se que não é apenas lendo os textos que conseguiremos avançar na nossa busca. De nada vale o conhecimento se não é usado. Precisamos nos dedicar com paciência e atenção sempre com a orientação de um Lama ou um professor qualificado.