segunda-feira, 6 de abril de 2015

Sobre a Meditação

    

     


A meditação é uma atividade de consciência mental comumente praticada pelos Budistas para obter felicidade interior e cultivar sabedoria, de forma a alcançar a purificação da mente e a libertação, isto é, alcançar o estado de Buda. Buda não é uma pessoa, mas sim um estado a ser alcançado.

  A felicidade que obtemos do ambiente físico que nos envolve não nos satisfaz verdadeiramente nem nos liberta de nossos problemas. Dependência de coisas impermanentes e apego à felicidade produz somente ilusão, seguida de pesar e desapontamento.

  Segundo o Budismo, existe felicidade verdadeira e duradoura e todos temos o potencial de alcança-la. A verdadeira felicidade está nas profundezas de nossa mente, e os meios para acessá-la podem ser praticadas por qualquer um.

   Se compararmos a mente ao oceano, pensamentos e sentimentos tais como a alegria, irritação, fantasia e tédio poderiam ser comparados a ondas que se levantam e voltam a cair por sobre a superfície. Assim como as ondas se amansam para relevar a quietude nas profundidades do oceano, também é possível acalmar a turbulência de nossas mentes e relevar pureza e claridade naturais. A meditação é um meio de alcançar isso.

  Nossas ilusões, incluindo ciúmes, raiva, desejo e orgulho, originam-se da má compreensão da realidade e do apego habitual à nossa maneira de ver as coisas. Através da meditação, podemos reconhecer nossos erros e ajustar nossa mente para pensar e reagir de maneira mais realista e honesta.

   Esta transformação mental acontece gradualmente e nos liberta das fantasias instintivas e habituais, nos permitindo adquirir familiaridade com a verdade. Podemos, então, finalmente, nos liberar de problemas como insatisfação, raiva e ansiedade.  Finalmente, compreendendo a maneira como as coisas de fato funcionam, nos é possível eliminar completamente a própria fonte de todos os estados mentais incômodos.

  Assim, a meditação não significa simplesmente sentar-se em uma determinada postura ou respirar de uma determinada maneira, estes são apenas recursos para a concentração e o alcance de um estado de mente estável. Apesar de diferentes técnicas de meditação serem praticadas em diferentes culturas, todas elas partilham o principio comum de cultivar a mente, de forma a não permitir que uma mente destreinada controle nosso comportamento.


 Veja também: Uma Orientação para a Pratica da Meditação; O caso Especial dos Pensamentos desagradáveis; "Vamos Meditar".

ZEN

   


A palavra Zen é uma abreviatura da palavra Zenna ou Zenno, que é a maneira de os japoneses lerem os caracteres chineses do Ch'anna, sendo sua abreviatura Ch'an, que, por sua vez, quer dizer Dhyana, em chinês.

   Esta é uma palavra sânscrita que descreve o ato da meditação e o estado de consciência não-dualística (ou outros estados de consciência fora da experiência cotidiana), que podem surgir com a prática.

   Como se pode deduzir das origens de seu nome, o fundamento da pratica Zen é a meditação Zazen, e seu objetivo especifico é levar o praticante a uma completa realização da sua verdadeira natureza.

  O Zen ensina que a prática Zazen é o caminho mais íngreme, porém mais rápido, para a iluminação para "ver as coisas como elas são". A meta do Zen é a iluminação.

"Sobre a Iluminação"

  

   Alguns alunos me questionaram sobre o que é a Iluminação. Para mim, é difícil explicar uma experiência que ainda não conheci, sendo que poderei confundir ainda mais as pessoas com minha tentativa de transformar em palavras um estado mental a ser conquistado. As palavras podem se tornar conceitos que apenas criarão fantasias nas pessoas, distanciando-as ainda mais da verdadeira realidade. Por esse motivo, os grandes Mestres do Budismo evitam descrever a Iluminação.

                Explicar o estado de Iluminação seria o mesmo que explicar o sabor de um determinado alimento. Por mais que eu transforme em palavras o que sinto ao saborear o que como, nunca o interlocutor sentirá o real sabor.

                A iluminação não é ter primeiro uma compreensão conceitual e depois sair à sua procura. Os ensinamentos dizem que devemos deixar de lado a dialética sobre o que é a iluminação e, sim, apresentar sua manifestação na vida diária. Mas como fazer isso? O primeiro passo é iniciar um processo de interiorização e autoconhecimento. E, com toda certeza, a melhor forma de iniciar este processo é através da meditação.

                Buda nos ensinou 84 mil maneiras de se meditar. Para você conhecer alguma delas e praticá-las de maneira séria e produtiva, é necessária a orientação de um professor qualificado que irá te conduzir de forma que o trabalho não seja prejudicado pelas fantasias produzidas pela mente.

"A Jangada"



Certa vez, Buda passou a seus discípulos o ensinamento sobre a causa e efeito, e eles disseram que tinham compreendido claramente. Então disse:

  "Ó Bhikkus, (Monges), esse ensinamento, que compreendeis de uma maneira tão pura e clara, se vos apegais  a ele e o guardais como um tesouro, então não compreendeis que o ensinamento é semelhante a uma jangada que é feita para um determinado fim, e não para ser continuamente carregada nas costas."

  E, assim, deu o seguinte exemplo: Um homem, viajando, chega à margem perigosa e assustadora de um rio de grande extensão de água. Então vê que a outra margem é segura e livre de perigo. Ele pensa:

  "Esta extensão de água é muito grande e esta margem é perigosa, aquela é segura e livre de perigo. Não há embarcação nem ponte com que eu possa atravessar. Acho que seria bom juntar troncos, ramos e folhas e fazer uma jangada com o qual, impulsionada por minhas mãos e meus pés, passe com segurança à outra margem".

 Então esse homem executa o que imagina, utilizando suas mãos e seus pés, passa para a outra margem sem perigo. Tendo alcançado a margem oposta, ele pensa: "Essa jangada me foi muito útil e me permitiu atravessar o rio. Seria bom carrega-la na cabeça ou nas costas onde quer que eu vá".

 - Que pensais bikkhus? Agindo dessa forma, esse homem estaria tendo uma atitude adequada em relação à jangada?
 - Não senhor! - responderam os bikkhus.
 - Como agiria ele adequadamente em relação à jangada? Tendo atravessado para outra margem do rio, esse homem deveria pensar:

  "Esta jangada me foi de grande auxilio e graças a ela cheguei em segurança no outro lado do rio. Agora seria bom que eu a abandonasse e seguisse o meu caminho livremente."

 Assim, lembrou aos monges, contra um dogmatismo excessivo:
 "O ensinamento se assemelha à jangada, deve ser considerado não como um fim, mas como um meio, da mesma forma, a jangada é um meio de atravessar, mas não para se apegar".

                                                                                                   (Majjhima-Nikaya I.)